Conceito de Reforma protestante: Origem, Definição e Significado

Conceito de Reforma protestante: Origem, Definição e Significado

Conceito de Reforma protestante: Origem, Definição e Significado

O que foi a Reforma Protestante e como ela moldou o mundo moderno?

A Reforma Protestante não foi apenas um evento religioso; foi um terremoto que abalou os alicerces da Europa, redefinindo o poder, a fé e a própria identidade de milhões. Vamos desvendar suas origens, seu significado profundo e o legado que perdura até hoje.

A Semente da Mudança: Contexto e Origens da Reforma Protestante

Para compreender a Reforma Protestante, é essencial mergulharmos no cenário europeu do final da Idade Média. Um período de profundas transformações sociais, políticas e econômicas, onde a Igreja Católica Apostólica Romana detinha um poder quase absoluto, tanto espiritual quanto temporal. A vida das pessoas era intrinsecamente ligada à fé e à estrutura eclesiástica.

A Igreja, apesar de sua imensa influência e do papel crucial que desempenhava na vida das pessoas, também enfrentava críticas crescentes. Havia um descontentamento generalizado com certas práticas e com o que muitos percebiam como um distanciamento dos ensinamentos originais do cristianismo. A venda de indulgências, por exemplo, onde se podia comprar o perdão dos pecados, era vista por muitos como um abuso de poder e uma distorção da mensagem evangélica.

Além disso, o Renascimento cultural e intelectual trouxe consigo um renovado interesse pelas fontes clássicas e pela crítica textual. O humanismo incentivava a razão e o questionamento, abrindo espaço para que estudiosos e teólogos examinassem os textos sagrados com um olhar mais crítico, buscando compreender a mensagem original sem as camadas de tradição acumuladas ao longo dos séculos.

A própria estrutura hierárquica da Igreja, com o Papa no topo, era questionada. O poder temporal dos papas, suas alianças políticas e o luxo de alguns clérigos contrastavam com a simplicidade que muitos esperavam da vida religiosa. A necessidade de uma reforma se tornava cada vez mais premente, um clamor silencioso que, eventualmente, encontraria voz.

O Homem Que Acendeu a Chama: Martinho Lutero e o Início da Reforma

O nome de Martinho Lutero (1483-1546) está indissociavelmente ligado ao início da Reforma Protestante. Um monge agostiniano e professor de teologia na Universidade de Wittenberg, na Saxônia, Lutero estava profundamente preocupado com a salvação da alma. Sua luta pessoal com a questão de como um pecador poderia ser justificado diante de um Deus justo o levou a estudar intensamente as Escrituras.

Foi no estudo da Epístola aos Romanos que Lutero encontrou a resposta que tanto buscava: a justificação pela fé somente. Ele percebeu que a salvação não era algo que se pudesse comprar ou merecer por obras, mas um dom gratuito de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo. Essa descoberta, conhecida como *sola fide*, se tornou um dos pilares centrais do protestantismo.

Em 1517, insatisfeito com a prática das indulgências, especialmente a promovida por Johann Tetzel, Lutero teria afixado suas famosas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Embora a autenticidade exata deste ato seja debatida por historiadores, o impacto das Teses foi inegável. Elas eram um convite ao debate teológico, questionando a autoridade do Papa para perdoar pecados e a eficácia das indulgências.

As 95 Teses se espalharam rapidamente pela Europa, graças à invenção da prensa móvel de Gutenberg. A mensagem de Lutero ressoou com muitos que compartilhavam suas preocupações e descontentamentos. O que começou como um debate teológico logo se transformou em um movimento reformador de larga escala, desafiando a autoridade da Igreja Católica e abrindo caminho para novas interpretações da fé cristã.

Pilares da Nova Fé: As Doutrinas Centrais da Reforma

A Reforma Protestante não se limitou a criticar práticas; ela propôs uma nova compreensão da fé cristã, fundamentada em doutrinas que divergiam significativamente do catolicismo romano. Os reformadores, impulsionados pela convicção de que a Bíblia era a autoridade final em matéria de fé e prática, desenvolveram um conjunto de princípios conhecidos como os “Sola”.

* Sola Scriptura (Somente a Escritura): Este princípio afirmava que a Bíblia era a única fonte infalível de revelação divina e a autoridade suprema para a fé e a vida. Isso significava que a tradição da Igreja, os decretos papais e os ensinamentos dos concílios não podiam se sobrepor às Escrituras. Os reformadores enfatizaram a importância da tradução da Bíblia para as línguas vernáculas, permitindo que as pessoas pudessem ler e interpretar as Escrituras por si mesmas.

* Sola Fide (Somente a Fé): Como mencionado anteriormente, esta doutrina defendia que a salvação é alcançada unicamente pela fé em Jesus Cristo, e não por obras ou méritos humanos. A fé era vista como o meio pelo qual a graça de Deus era recebida.

* Sola Gratia (Somente a Graça): Este princípio complementava o anterior, ensinando que a salvação é inteiramente um ato da graça de Deus, não algo que o ser humano possa conquistar. A graça divina é concedida gratuitamente aos que creem.

* Solus Christus (Somente Cristo): A Reforma enfatizava que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e a humanidade. Isso questionava a necessidade de santos ou da Virgem Maria como intercessores, bem como a autoridade sacerdotal como única via para se aproximar de Deus.

* Soli Deo Gloria (Glória Somente a Deus): Todas as ações e a própria existência humana deveriam ter como objetivo a glória de Deus.

Esses princípios não eram meros detalhes teológicos; eles representavam uma mudança radical na forma como os cristãos entendiam sua relação com Deus e a natureza da igreja. A acessibilidade da Bíblia e a ideia de que todo crente poderia ter uma relação direta com Deus, sem a necessidade de intermediários humanos, foram ideias profundamente revolucionárias.

Reforma em Movimento: João Calvino e a Expansão do Protestantismo

Embora Martinho Lutero tenha sido o catalisador inicial, a Reforma Protestante rapidamente se espalhou e ganhou novas nuances com outros reformadores. João Calvino (1509-1564) foi uma figura proeminente nesse movimento, cujas ideias tiveram um impacto duradouro em diversas tradições protestantes.

Calvino, um jurista e teólogo francês, desenvolveu suas ideias em Genebra, na Suíça. Sua obra mais influente, as “Institutas da Religião Cristã”, ofereceu um sistema teológico abrangente e coerente para o protestantismo. O calvinismo, como sua teologia veio a ser conhecida, destacou-se por sua ênfase na soberania de Deus e na predestinação.

A doutrina da predestinação, que ensina que Deus, em sua soberania, preordenou aqueles que serão salvos, foi um aspecto controverso e distintivo do pensamento calvinista. Para Calvino, a predestinação não era um convite à passividade, mas um chamado à santidade e à obediência, uma vez que a vida de um eleito deveria refletir a glória de Deus.

O calvinismo também deu grande importância à igreja como uma comunidade de crentes, organizada com base nos ensinamentos bíblicos. A ética do trabalho, incentivada pela ideia de que todas as vocações poderiam ser um serviço a Deus, também se tornou uma marca registrada do calvinismo, com muitos historiadores associando-a ao desenvolvimento do capitalismo.

Além de Lutero e Calvino, outros reformadores como Ulrico Zwinglio na Suíça, e posteriormente os anabatistas, contribuíram para a diversidade do movimento reformador. Cada um trouxe suas próprias ênfases e interpretações, levando ao surgimento de diferentes denominações protestantes, como luteranos, calvinistas (presbiterianos e reformados), e os anabatistas (cujos descendentes incluem batistas e menonitas).

O Impacto da Reforma: Transformações Religiosas, Políticas e Sociais

A Reforma Protestante não se limitou ao âmbito estritamente religioso; suas ondas de choque reverberaram por toda a Europa, transformando radicalmente o cenário político, social e cultural. A divisão da cristandade ocidental, que antes era unitária sob a égide de Roma, desencadeou séculos de conflitos, mas também impulsionou novas formas de organização estatal e de pensamento.

Politicamente, a Reforma enfraqueceu o poder universal do Papado e fortaleceu o poder dos monarcas e príncipes em seus territórios. Muitos governantes adotaram o protestantismo como forma de se libertarem da influência papal e de confiscarem os bens da Igreja em seus domínios. Isso contribuiu para o desenvolvimento do Estado-nação moderno e para a secularização do poder.

As Guerras de Religião, como a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), foram uma consequência direta dessa cisão. Esses conflitos brutais causaram imenso sofrimento e mortes, mas eventualmente levaram à busca por coexistência pacífica e à ideia de tolerância religiosa, embora este processo tenha sido longo e doloroso.

Socialmente, a ênfase protestante na alfabetização e na leitura da Bíblia impulsionou a educação. A criação de escolas e universidades para formar pastores e leigos instruídos foi uma prioridade. A valorização do trabalho e da vida cotidiana como um meio de glorificar a Deus, especialmente nas tradições calvinistas, também teve um impacto significativo nas mentalidades e nas práticas econômicas.

A Reforma também fomentou um senso de individualismo religioso. A ideia de que cada pessoa poderia ter uma relação direta com Deus, sem a necessidade de intermediários, encorajou a autonomia pessoal e a responsabilidade individual perante a fé.

A Reforma e a Contrarreforma: Um Diálogo de Mudanças

A ascensão do protestantismo forçou a Igreja Católica a uma profunda reflexão e a uma série de reformas internas, conhecidas como a Contrarreforma ou Reforma Católica. Embora o objetivo principal fosse reafirmar os dogmas católicos e combater a expansão protestante, a Contrarreforma também trouxe uma revitalização espiritual e organizacional para a Igreja.

O Concílio de Trento (1545-1563) foi o marco central da Contrarreforma. Reunindo bispos e teólogos católicos, o concílio reafirmou doutrinas católicas que haviam sido questionadas pelos protestantes, como a importância dos sete sacramentos, a autoridade da tradição ao lado da Escritura, e a doutrina da transubstanciação.

No entanto, o concílio também abordou questões de disciplina eclesiástica, como a necessidade de melhor formação para os clérigos, a proibição da acumulação de cargos e a melhoria na administração dos sacramentos. Novas ordens religiosas, como a Companhia de Jesus (Jesuítas), foram fundadas e desempenharam um papel crucial na educação, na missões e na defesa do catolicismo.

A Contrarreforma também se manifestou através da arte e da arquitetura barroca, que buscavam evocar a grandeza de Deus e a glória da Igreja, contrastando com a austeridade de alguns templos protestantes. O Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) também foi intensificado em sua atuação contra a heresia.

Em suma, a Reforma Protestante e a Contrarreforma foram dois movimentos que, embora em oposição, impulsionaram um ciclo de mudanças significativas dentro do cristianismo e na própria estrutura da sociedade europeia.

O Legado da Reforma Protestante no Mundo Atual

As sementes plantadas pela Reforma Protestante continuam a frutificar no mundo contemporâneo. O legado desse movimento é multifacetado e abrange diversas áreas da vida.

A diversidade cristã que vemos hoje, com inúmeras denominações protestantes ao redor do globo, é um resultado direto da Reforma. Cada tradição, com suas particularidades teológicas e práticas, remonta a esse período de ruptura e renovação.

A ênfase na importância da Bíblia como autoridade máxima continua a influenciar o pensamento de milhões. A liberdade de consciência e de interpretação religiosa, embora conquistada a duras penas, tornou-se um valor fundamental em muitas sociedades.

A ideia de que todas as vocações podem ser um chamado divino e que o trabalho honesto é uma forma de glorificar a Deus ainda ressoa. Essa ética do trabalho, aliada ao espírito de inovação e empreendedorismo, é frequentemente associada às tradições protestantes.

A própria estrutura política de muitas nações, com a separação entre Igreja e Estado e a ênfase nos direitos individuais, tem raízes na dinâmica que a Reforma ajudou a criar. O questionamento da autoridade absoluta e a busca por formas de governo que protejam as liberdades individuais foram influenciados pela contestação da autoridade papal.

Do ponto de vista da educação, a Reforma impulsionou o acesso ao conhecimento e à leitura crítica, fundamentais para o desenvolvimento científico e intelectual.

Curiosidades e Mitos Sobre a Reforma Protestante

A Reforma Protestante é um tema rico em histórias e que também gerou muitos mitos ao longo do tempo. Desmistificar alguns desses pontos pode nos ajudar a ter uma compreensão mais precisa.

* Lutero quebrou as portas da igreja? Embora a tradição diga que Lutero afixou suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, a imagem de ele as martelando com fúria é mais simbólica do que literal. O costume de afixar avisos nas portas das igrejas era comum na época.

* A Reforma foi apenas uma revolta contra o Papa? Embora a crítica à autoridade papal e a certas práticas eclesiásticas fossem centrais, a Reforma foi fundamentalmente um movimento teológico, buscando um retorno aos ensinamentos bíblicos.

* Todos os protestantes acreditam nas mesmas coisas? A Reforma deu origem a uma miríade de denominações, cada uma com suas interpretações doutrinárias. A diversidade é uma característica inerente ao movimento.

* O protestantismo é anticatólico? Embora haja divergências teológicas significativas, muitas tradições protestantes buscam um diálogo ecumênico com a Igreja Católica, reconhecendo um legado comum e valores partilhados.

Erros Comuns ao Interpretar a Reforma Protestante

É fácil cair em interpretações simplistas da Reforma Protestante. Um erro comum é vê-la como um evento monolítico, sem reconhecer a complexidade e as diferentes correntes que a compuseram. Outro equívoco é focar apenas nas diferenças teológicas, ignorando o profundo impacto social e político que ela teve.

Reduzir a Reforma a um mero conflito de poder entre a Igreja e os governantes seculares também é uma visão incompleta. A motivação espiritual e a busca pela verdade religiosa foram o motor inicial e principal.

Ignorar o papel da invenção da imprensa na disseminação das ideias reformadoras também é um erro. A tecnologia foi um fator crucial para o sucesso do movimento.

FAQs: Perguntas Frequentes Sobre a Reforma Protestante

* Quando ocorreu a Reforma Protestante?
A Reforma Protestante é geralmente associada ao início no século XVI, com o marco de 1517, a publicação das 95 Teses de Martinho Lutero. O movimento se estendeu pelos séculos seguintes, com a consolidação de diferentes tradições reformadas.

* Quem foram os principais reformadores?
Os reformadores mais proeminentes incluem Martinho Lutero (Alemanha), João Calvino (França/Suíça) e Ulrico Zwinglio (Suíça). Outras figuras importantes contribuíram para a diversidade do movimento.

* Quais foram as principais causas da Reforma Protestante?
As causas foram multifacetadas, incluindo o descontentamento com práticas da Igreja Católica como a venda de indulgências, o desejo por uma religiosidade mais pessoal e baseada nas Escrituras, o florescimento do humanismo e a crescente influência dos príncipes sobre os assuntos religiosos.

* Qual foi o impacto da Reforma na sociedade?
O impacto foi profundo, levando à fragmentação da cristandade ocidental, guerras religiosas, fortalecimento dos Estados-nação, avanço da educação, e mudanças na ética social e no pensamento político.

* A Reforma Protestante influenciou a ciência?
Muitos historiadores argumentam que a ênfase protestante na razão, na leitura crítica das Escrituras e na valorização do trabalho como serviço a Deus criou um ambiente propício para o desenvolvimento do pensamento científico.

Conclusão: A Reforma Como um Chamado à Reflexão Contínua

A Reforma Protestante não foi um ponto final, mas um marco que inaugurou uma nova era no pensamento e na prática religiosa e social. Ela nos lembra da importância do questionamento, da busca pela verdade e da responsabilidade individual na fé.

O legado da Reforma é um convite para continuarmos a refletir sobre as estruturas de poder, a fidelidade aos princípios e a busca por uma fé autêntica e significativa em nossos próprios tempos.

Gostou deste mergulho profundo na Reforma Protestante? Compartilhe suas reflexões nos comentários abaixo e ajude a espalhar este conhecimento! Se inscreva em nossa newsletter para não perder nossos próximos artigos.

O que foi a Reforma Protestante?

A Reforma Protestante foi um movimento religioso, social e político que eclodiu no século XVI, marcando uma profunda cisão dentro do cristianismo ocidental. Seu principal objetivo era reformar as práticas e doutrinas da Igreja Católica Romana, que muitos acreditavam ter se afastado dos ensinamentos originais do cristianismo. Iniciada formalmente com a publicação das 95 Teses de Martinho Lutero em 1517, a Reforma resultou na formação de novas denominações cristãs, como o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo, alterando o panorama religioso e cultural da Europa de forma irreversível.

Qual a origem histórica da Reforma Protestante?

A origem da Reforma Protestante pode ser rastreada a um conjunto de fatores que se acumularam ao longo de séculos. O descontentamento com certas práticas da Igreja Católica, como a venda de indulgências, a simonia (venda de cargos eclesiásticos) e o distanciamento do clero em relação às escrituras sagradas, foram catalisadores importantes. Além disso, o crescente nacionalismo europeu e o desejo de maior autonomia das monarquias frente à autoridade papal criaram um terreno fértil para o questionamento da Igreja. A invenção da prensa de Gutenberg no século XV permitiu a disseminação mais rápida de ideias, incluindo aquelas críticas à Igreja, e o surgimento de reformadores anteriores, como John Wycliffe e Jan Hus, que já haviam levantado questões semelhantes, prepararam o caminho para o movimento liderado por Martinho Lutero.

Quem foi Martinho Lutero e qual o seu papel na Reforma?

Martinho Lutero (1483-1546) foi um monge agostiniano, teólogo e professor alemão, amplamente considerado o pai da Reforma Protestante. Sua insatisfação com a venda de indulgências, que prometiam remissão de pecados em troca de dinheiro, levou-o a redigir e afixar em 1517 as suas famosas 95 Teses na porta da igreja do Castelo de Wittenberg. Nestas teses, Lutero questionava a autoridade do Papa para conceder perdão e defendia a salvação pela fé em Jesus Cristo, e não por obras ou transações financeiras. Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, tornando-a acessível ao povo comum e enfatizando o princípio do “sola Scriptura” (somente a Escritura). Suas ideias se espalharam rapidamente, inspirando outros reformadores e dando início à divisão do cristianismo ocidental.

Quais são os princípios teológicos centrais da Reforma Protestante?

A Reforma Protestante foi fundamentada em princípios teológicos que buscavam retornar às bases do cristianismo, como interpretadas pelos reformadores. Os cinco pilares centrais, conhecidos como os “Solas”, são: Sola Scriptura (somente a Escritura), que estabelece a Bíblia como a única fonte de autoridade divina; Sola Fide (somente a fé), que afirma que a salvação é alcançada unicamente pela fé em Jesus Cristo, sem a necessidade de obras meritórias; Sola Gratia (somente a graça), que destaca que a salvação é um dom gratuito de Deus, concedido por Sua misericórdia; Solus Christus (somente Cristo), que proclama Jesus Cristo como o único mediador entre Deus e a humanidade; e Soli Deo Gloria (glória somente a Deus), que atribui toda a glória a Deus em todas as coisas. Estes princípios contradiziam diretamente várias doutrinas e práticas da Igreja Católica da época.

Quais foram as principais consequências da Reforma Protestante para a Europa?

As consequências da Reforma Protestante foram vastas e multifacetadas, remodelando o cenário europeu. Religiosamente, levou à fragmentação da unidade cristã, dando origem a diversas denominações protestantes e reacendendo o fervor religioso em diferentes regiões. Politicamente, enfraqueceu a autoridade universal da Igreja Católica e do Papado, fortalecendo o poder dos monarcas e o desenvolvimento dos Estados-nação. Economicamente, a Reforma influenciou a ascensão do capitalismo, especialmente em áreas protestantes, e a secularização de bens da Igreja. Socialmente, promoveu a alfabetização e o acesso à educação, especialmente através da leitura da Bíblia, e gerou um período de intensos conflitos religiosos, incluindo guerras civis e conflitos internacionais. Culturalmente, a Reforma estimulou o desenvolvimento das línguas vernáculas e a produção de novas formas de arte e música sacra.

Como a Reforma Protestante influenciou o desenvolvimento do pensamento moderno?

A Reforma Protestante desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do pensamento moderno ao introduzir e popularizar conceitos que desafiaram as estruturas de poder e conhecimento estabelecidas. O princípio do Sola Scriptura incentivou a interpretação individual das escrituras, promovendo o pensamento crítico e a autonomia intelectual. Essa ênfase na razão e na investigação individual, embora inicialmente aplicada à teologia, gradualmente se estendeu a outros campos do conhecimento, contribuindo para o surgimento do Iluminismo. A valorização do trabalho e da vocação em muitas tradições protestantes também foi ligada ao desenvolvimento de uma ética de trabalho que muitos associam ao capitalismo moderno. Além disso, a ênfase na liberdade de consciência, um subproduto da luta pela liberdade religiosa, lançou as bases para futuras discussões sobre direitos individuais e liberdade de expressão.

Quais foram os outros grandes reformadores além de Martinho Lutero?

Embora Martinho Lutero seja a figura mais proeminente, a Reforma Protestante contou com a atuação de diversos outros reformadores influentes em diferentes regiões da Europa. João Calvino, na Suíça, foi um teólogo e pastor que sistematizou a teologia reformada, com ênfase na soberania de Deus e na predestinação, influenciando o desenvolvimento do presbiterianismo e do reformismo em geral. Ulrico Zuínglio, também na Suíça, foi um reformador precursor de Calvino, com uma abordagem mais radical em relação aos sacramentos. John Knox, na Escócia, foi o principal líder da Reforma Escocesa e o fundador da Igreja Presbiteriana da Escócia. Na Inglaterra, a Reforma teve um caráter mais político, impulsionada pelo Rei Henrique VIII, que estabeleceu a Igreja Anglicana, embora figuras como Thomas Cranmer tenham tido um papel teológico significativo. Cada um desses reformadores contribuiu com suas próprias interpretações e ênfases, diversificando o movimento reformista.

Como a Igreja Católica Romana reagiu à Reforma Protestante?

A Igreja Católica Romana reagiu à Reforma Protestante de diversas maneiras, em um movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica. Inicialmente, houve tentativas de suprimir o movimento através da censura e da condenação de líderes reformadores, como no caso de Lutero, que foi excomungado e declarado herege. O Concílio de Trento (1545-1563) foi convocado para reafirmar e clarificar as doutrinas católicas, condenando as heresias protestantes e implementando reformas internas para combater abusos e fortalecer a disciplina eclesiástica. A Companhia de Jesus (Jesuítas), fundada por Inácio de Loyola, desempenhou um papel fundamental na Contrarreforma, dedicando-se à educação, à evangelização e à luta contra o protestantismo através de argumentação teológica e missionária. A Inquisição também foi um instrumento utilizado para combater o que era considerado heresia, aumentando a repressão em algumas regiões.

De que forma a Reforma Protestante afetou a sociedade e a cultura?

A Reforma Protestante causou um impacto profundo e duradouro na sociedade e na cultura. A ênfase na educação e na alfabetização, para permitir que as pessoas lessem e interpretassem a Bíblia, levou à criação de escolas e universidades em regiões protestantes, promovendo um aumento geral do conhecimento. A tradução da Bíblia para as línguas vernáculas não só facilitou o acesso às escrituras, mas também contribuiu para a padronização e o desenvolvimento dessas línguas. Na arte, a Reforma levou a um afastamento da iconografia religiosa tradicional em algumas tradições protestantes, como o calvinismo, que era mais austero, enquanto outras, como o luteranismo, mantiveram ou adaptaram elementos artísticos. A ética do trabalho, a valorização da família e o desenvolvimento de novas formas de organização social e comunitária também foram influenciados pelos ideais protestantes, moldando a cultura de muitas nações europeias e, posteriormente, em outros continentes.

Qual o significado atual da Reforma Protestante?

O significado da Reforma Protestante perdura até os dias de hoje, moldando o panorama religioso, cultural e social global. Ela representa um marco na história do cristianismo, estabelecendo a diversidade de confissões cristãs que observamos atualmente. Seus princípios teológicos, como a autoridade da Bíblia e a salvação pela fé, continuam a ser centrais para milhões de cristãos protestantes em todo o mundo. Além disso, os valores associados à Reforma, como a liberdade de consciência, a importância da educação e o questionamento de autoridades estabelecidas, influenciaram o desenvolvimento de sociedades democráticas e o pensamento secular em muitos países. A Reforma Protestante nos lembra da capacidade de movimentos intelectuais e espirituais de desafiar o status quo, promover mudanças sociais profundas e redefinir a relação do indivíduo com a fé e com o mundo.

Compartilhe esse conteúdo!

Publicar comentário