Home Templo de Estudos Maçônicos MAÇONARIA: PAINEL DO SIMBOLISMO DO GRAU DE APRENDIZ
MAÇONARIA: PAINEL DO SIMBOLISMO DO GRAU DE APRENDIZ Imprimir E-mail
Escrito por Jeronimo Borges   
Dom, 22 de Julho de 2012 17:00

1. Define-se como  Painel Simbólico do Grau de Aprendiz  aquele onde são salientados os seguintes símbolos: Corda de 81 nós com duas Borlas, Pedra Bruta e a Pedra Cúbica, Três Janelas, Pórtico encimado pelo Delta, duas Colunas Egípcias com três Romãs cada uma, a Prancha, o Maço e o Cinzel, o Nível e o Prumo, o Esquadro o Compasso, o Sol, a Lua e as Estrelas. Esse Painel é o que deve ser exposto no Ocidente, de frente para o Altar dos Juramentos, entre este e o primeiro degrau de acesso ao Oriente. (RA).

2. O Painel da Loja de Aprendiz: Comporta duas Colunas, encimadas por romãs, enquadrando um pórtico à qual conduzem 3 (três) degraus e encimado pelo Delta Luminoso. Vê-se também três janelas, uma pedra bruta, uma pedra cúbica, a prancha de traçar, o maço e o cinzel, o esquadro e o compasso, o nível e o prumo, as Colunas  J e  B, o Sol, a  Lua, as estrelas, uma corda de 7 nós e a orla dentada emoldurando o Painel do Grau com quatro borlas nas extremidades. As Romãs: As romãs estão postas em cima dos capitéis das Colunas J e B, sendo três em cada uma delas, apresentando um corte frontal que revela seus grãos. Sendo que este fruto representa a Família Maçônica Universal, cujos membros estão ligados harmonicamente pelo espírito de união, inspirados na ordem e na fraternidade. Os diversos autores dizem que em todos os tempos, a romã foi um símbolo de fecundidade, de abundancia e de vida; os grãos de romã, reunidos em uma polpa transparente, simbolizam os maçons unidos entre si por um ideal comum. O Pórtico e o Delta Luminoso: Simbolicamente representa a porta de entrada para atingir a perfeição e  o conhecimento da verdade. A entrada do Mundo Profano para o Mundo Maçônico, simbolizado pelo pórtico, tem a porta do Templo encimada pelo Delta Luminoso. Este triângulo, como polígono perfeito, resume o simbolismo maçônico, pois representa o Todo e abrange o Cosmos, tendo ao centro o misterioso Yod, simbolizando o olho e o centro e a parte vital do Todo. Este ponto é geométrico, astronômico, filosófico, esotérico, enfim, a origem do tudo. Representando ainda que a Loja esta sob o olhar protetor do Grande Arquiteto. Ao transpor o portal do Templo, que representa o Universo, o Aprendiz torna-se apto, pelo estudo, pelo trabalho e pela prática dos ensinamentos do grau, a tornar-se um verdadeiro maçom. Os Degraus: A passagem do Mundo Profano para O Mundo Maçônico não pode ser realizada diretamente e estes degraus representam simbolicamente as etapas a que se deve submeter o Iniciado, ou seja, os três degraus representam sucessivamente, o plano físico ou material, plano intermediário, chamado de astral, e por último o plano psíquico ou mental. Esses três degraus correspondem à divisão ternária do ser humano em Corpo, Alma e Espírito. Sendo necessário que o Aprendiz busque a sua libertação das mazelas do Mundo Profano e desta forma consiga desbastar a pedra bruta e transformá-la em pedra polida, para sua ascensão moral e espiritual. As Janelas: Três janelas estão representadas no Painel da Loja de Aprendiz, a primeira a Oriente, a segunda ao Meio-Dia e a terceira a Ocidente; nenhuma janela se abre para o Norte. Essastrês janelas são cobertas por uma rede. Essa rede que protege as aberturas lembra que o trabalho dos obreiros é subtraído à curiosidade do profano, cujo olhar não pode penetrar no Templo, da mesma forma que o Maçom deve olhar a vã agitação da rua. Pois a seu redor tudo esta fechado, mas nem por isso, espiritualmente, ele deve determinar o movimento do mundo sensível encarado do ponto de vista em que se encontra. Nos antigos rituais maçônicos fazem menção a três janelas no grau de Aprendiz. Tendo como base as três portas do Templo de Salomão (Bíblia - I Livro dos Reis, VII, 4 e 5), sabe-se portanto, que o Templo se abria para Leste e para Oeste, como na maioria das catedrais. Desse modo, o Templo era iluminado pelo Sol ao alvorecer. A janela do Oriente traz a doçura da aurora, sua renovação de atividade; ao Meio-Dia, a força e o calor; a do Ocidente dá uma luz que, à medida que se torna, mas fraca, convida ao repouso. O Norte, escuro, como não recebe nenhuma luz, não precisa de janela. Porque os trabalhos dos Maçons simbolicamente começam ao Meio-Dia e terminam a Meia-Noite. Começam ao Meio-Dia, quando o Sol brilha com toda a sua força no Templo. Os Aprendizes são colocados ao Norte porque têm necessidade de serem esclarecidos; eles recebem assim toda a luz da janela do Meio-Dia, Os companheiros, colocados ao Meio-Dia, precisam de menos luz e a sombra provocada pela parede do Templo ainda permite que sejam iluminados suficientemente, enquanto o Venerável e seus oficiais recebem, de frente, apenas a luz do crepúsculo. Em contrapartida, os Vigilantes são alertados desde a aurora pela luz que os atinge em cheio. Pedra Bruta: A direita do Painel do Aprendiz figura a pedra bruta, que simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o Maçom deve se esforçar paracorrigir. O Aprendiz, pela sua iniciação maçônica, que representa um novo nascimento, reencontra o estado da natureza; ele se liberta das mazelas do mundo profano e passa por um processo de purificação, onde reencontra a liberdade de pensamento. Esta nova etapa em sua vida tem como objetivo principal a sua transformação, e este se dá através do trabalho do desbaste de sua própria pedra bruta, com os instrumentos que lhe são fornecidos, visando tornar esta justa e perfeita em todas as suas medidas e forma. Ela é vista como a matéria-prima existente para a elaboração da Obra. Simboliza a matéria apta a ser trabalhada; simboliza o meio para atingir o fim sagrado datransmutação do Ser. Pedra Cúbica: A Pedra Cúbica, o hexaedro, é a obra-prima que o Aprendiz deve realizar. Materialmente, é difícil, com o Maço, o Cinzel e o Esquadro, realizar um Cubo perfeito que a primeira vista não parece tal. A Pedra Cúbica do Painel do Aprendiz é encimada por uma pirâmide quadrangular e se chama Pedra Angular Pontiaguda. Essa pedra, sobre o qual os Companheiros devem afiar seus instrumentos, simboliza o progresso que eles devem fazer na instituição e em seus relacionamentos com os Irmãos. Em sua interpretação moral, a Pedra Cúbica é também a pedra angular do templo imaterial  construído à filosofia; é também o emblema da alma que aspira subir até a sua fonte. É terminado em pirâmide, símbolo do fogo, para que aí sejam inscritos os números sagrados. Para desbastá-la, é preciso fazer uso do compasso, do esquadro, do nível, do fio de prumo, instrumentos que representam para nosso espírito as ciências, cuja perfeição vem do Alto. A Prancha de Traçar:  A Prancha de Traçar é um retângulo sobre o qual são indicados os esquemas que constituem a chave do alfabeto maçônico. A Maçonaria, em seu simbolismo, chama o papel sobre o qual se escreve de Prancha de Traçar e substituir o verbo escrever pela expressão traçar uma prancha. A Prancha de Traçar está ligada ao Grau de Mestre Maçom, como a Pedra Cúbica ao Grau de Companheiro Maçom e a Pedra Bruta ao Grau de Aprendiz Maçom. Por que, é sobre a Prancha de Traçar que o Mestre estabelece seus planos; mas o Aprendiz e o Companheiro não devem ignorar seu uso e devem exercitar-se esboçando ai suas ideias. Esse é o motivo pelo qual esse símbolo já figura no Painel do Aprendiz. Maço e o Cinzel: Instrumentos do Aprendiz são apresentados no Painel de forma unida, portanto essa associação indica a vontade e a inteligência, a força e o talento, a ciência e a arte, a força física e a força intelectual, quando aplicadas em doses certas, permitem que a Pedra Bruta se transforme em Pedra Polida. O Maço simboliza a vontade do Aprendiz. Não é uma massa metálica, pesada e brutal, pois a vontade não deve ser nem obstinação, nem teimosia. Ela deve ser apenas firme e perseverante. Mas o homem não pode agir diretamente sobre a Matéria; o Cinzel servirá, então, de intermediário. Este deverá ser amolado frequentemente, isto é, deverá rever continuamente os conhecimentos adquiridos. Não deixá-los embotar. O Maço age de forma descontínua. Isso mostra que o esforço não pode ser perseguido sem interrupção e, por outro lado, que uma pressão contínua sobre o Cinzel tirar-lhe-ia toda a sua precisão. Compasso e o Esquadro: Estas duas ferramentas unidas no Painel do Aprendiz representam a justa medida, que deve presidir a todas as nossas ações, que não podem se afastar da Justiça e nem da retidão, que regem todos os atos dos Maçons. Representando ainda o signo mais conhecido, pelo qual se identifica a Maçonaria universalmente. O Esquadro é usado pelo Aprendiz como seu único e verdadeiro signo, marcando-o a cada passo que dá no decorrer de sua marcha em direção ao Altar. Também na posição de Ordem do Grau de Aprendiz, está ostentando quatro Esquadros, que representam astronomicamente quatro cortes nos diâmetros do circulo zodiacal, dividindo em quatro partes que correspondem cada uma delas à respectiva estação do ano de conformidade com a inclinação do Sol em sua carreira. O Compasso é considerado um Símbolo da espiritualidade e do conhecimento humano. Sendo visto como Símbolo da espiritualidade, sua posição sobre o Livro da Lei varia conforme o Grau. No Grau de Aprendiz, ele está embaixo do Esquadro, indicando que existe, por enquanto, a predominância da Matéria sobre o Espírito. A abertura indica o nível de conhecimento humano, sendo esta limitada ao máximo de 90º, isto é, ¼ do conhecimento. A sua Simbologia ainda é muito mais variada, podendo ser entendido como símbolo da Justiça, com a qual devam ser medidos os atos humanos. Simboliza a exatidão da pesquisa e ainda pode ser visto como símbolo da imparcialidade e infalibilidade do Todo-Poderoso. Nível e o Prumo: O Nível como instrumento simbólico da igualdade, tem uma tradição muito importante e uma força muito grande dentro da Simbólica Maçônica. Como parte do triangulo, um dos tripés que sustentam toda a estrutura filosófica de nossa Ordem, ele é o emblema de um dos maiores princípios da Maçonaria. Aquele que foi emprestado para a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aquele que considera todos os homens iguais, independentemente de crenças religiosas, credos políticos, raças ou condição social. É o Nível que nos faz tratarmo-nos de Irmãos, e, em nossos Templos, sentarmos lado a lado, patrão e empregado, pai e filho, General e Tenente, rico e pobre, sem nenhuma pretensão. O Prumo, conhecido como perpendicular no passado, é o símbolo da retidão, da Justiça e da Equidade. Também simboliza o equilíbrio. Se o Nível simboliza a Igualdade entre os homens, o Prumo significa que o maçom deve possuir uma retidão de julgamento  - seja essa ligação em grau de parentesco ou amizade. A perpendicular é também o símbolo de profundidade e de conhecimento. Quando p Aprendiz completa o seu tempo e após apresentar seu trabalho sobre o Grau, diz-se que está apto para passar da Perpendicular ao Nível. As Colunas B e J: As Colunas B e J de nossa Loja representam as Colunas que ficavam no Átrio do Templo de Salomão e não pertencem à divisão clássica arquitetônica. A Coluna B ou Boaz (Hebraico BOAZ), isto  é,  - na força, representa a generação; revela a estabilidade ponderada e deve ser branca. As duas palavras reunidas significam, portanto: Deus estabeleceu na força, solidamente, o templo e a religião de que ele é o centro. A Bíblia nos diz, que as duas Colunas de bronze, foram erigidas à entrada do Templo de Salomão, uma à direita, sob o nome de Jachin, e a outra à esquerda, sob o nome de Booz. Jamais houve qualquer contestação sobre o sexo simbólico dessas duas Colunas, a primeira delas suficientemente caracterizada como masculina pelo Iod inicial que a designa comumente. Com efeito, essa letra hebraica corresponde à masculinidade por excelência. Beth, a segunda letra do alfabeto hebraico, por outro lado, é considerada como essencialmente feminina, porque seu nome quer dizer casa, habitação, de onde a ideia de receptáculo, de caverna, de útero, etc. A Coluna J é, portanto, masculino-ativa, e a Coluna B femininopassiva. O simbolismo das cores exige, consequentemente, que a primeira seja vermelha e a segunda branca ou negra. A palavra Jachin, em hebraico, escreve-se com as letras Iod, Caph, Iod, Nun. Para evitar erro na pronúncia, escreve-se às vezes Jakin. A palavra Booz escreve-se com as letras Beth, Aïn (letra que não pode ser traduzida foneticamente senão por uma aspiração sonora, pelo espírito forte do grego), Zaïn. Muitas vezes escreve-se Booz em lugar de Boaz; no entanto, esta última ortografia está mais de acordo com o hebraico. A Bíblia é formal: ela coloca Jachin à direita e Boaz à esquerda, o que está conforme com o simbolismo tradicional e universal. O Rito Escocês coloca as duas Colunas desse modo, mas o Rito Francês inverteu as respectivas posições: ele coloca Jachín à esquerda e Boaz á direita, sendo que nada justifica essa mudança, nem mesmo o fato de essas Colunas terem sido transportadas do exterior para o interior do Templo. Maçonicamente o Sol corresponde à Coluna J e a Lua corresponde à Coluna B e lhes são atribuídas as seguintes cores: Vermelho à Coluna J, Branco ou Preto à Coluna B, correspondendo assim ao Ativo e ao Passivo. Se nos ativermos ao texto bíblico, as duas Colunas eram de bronze e ambas da cor natural desse metal. Para diferenciá-las, decidiu-se lhes adicionar as cores e tal decisão é arbitrária e discutível. O lugar das Colunas varia de acordo com o lugar em que se coloca o observador: na frente ou atrás. Para a maioria dos símbolos, é preciso considerar o observador na sua frente. É fácil notar que a cor branca corresponde perfeitamente à Sabedoria, à Graça e à Vitória; a cor vermelha, à Inteligência, ao Rigor e à Glória, enquanto que o azul está em harmonia com a Coroa, a Beleza, o Fundamento; o negro corresponde ao Reino. Assim, portanto, ao lado direito (positivo) atribuimos a cor branca, ao lado esquerdo (passivo), a cor vermelha; no centro, a cor azul (neutra) e, na base, a cor negra (matéria). Atribuindo o Branco à Coluna da direita e, consequentemente, a Jachin, respeitamos o símbolo solar, atribuído a essa Coluna, já que a luz do Sol é branca. As três cores: azul, branco e vermelho figura na bandeira francesa. A Coluna J devia, portanto, ser branca e a Coluna  B  vermelha; o azul é a cor do Céu e do Templo, da Abóbada Estrelada. A Maçonaria dá precisamente a cor branca a seus mais altos graus; a cor vermelha a seus graus intermediários e a cor azul a seus primeiros graus, cujos participantes, antes de qualquer coisa, devem praticar a tolerância. As duas Colunas, assinalam os limites do Mundo criado, os limites do mundo profano, de que a Vida e a Morte são a contradição extrema de um simbolismo que tende para um equilíbrio que jamais será conseguido. As forças construtivas não podem agir senão quando as forças destrutivas tiverem terminado sua tarefa. Essas forças opostas são necessárias uma à outra. Não se pode conceber a Coluna J sem a Coluna B, o calor sem o frio, a luz sem as trevas, etc. O Sol e a Lua: Representam o antagonismo da natureza - dia e noite, afirmação e negação, claro e escuro, presente na vida maçônica do Aprendiz, ensinando o equilíbrio pela consciência dos contrários. O Sol é o vitalizador essencial, a fonte da luz e da vida, tanto dos animais como dos vegetais, nasce no Oriente, de onde vieram os ensinamentos da arte real. A Lua, representa o amor, o princípio passivo e o feminino, simboliza a constância e a obediência, levanta-se quando o Sol se deita e reina sobre as estrelas, não com sua própria luz, mas refletindo a luz solar. O Sol, ativo, fica à esquerda, e a Lua, passiva, fica à direita do Painel. Na Loja os trabalhos são abertos simbolicamente ao Meio-Dia, quando o Sol esta em Zênite, e fechados à Meia-Noite, quando ele está no Nadir; nesse momento, supõe-se que a Lua esteja em seu pleno esplendor. As Estrelas: Simbolicamente representam a universalidade da Maçonaria, mas ressaltando na forma irregular em que são distribuidas, que os Maçons, espalhados por todos os continentes, devem, como construtores sociais, distribuir a luz de seus conhecimentos àqueles que ainda estão cegos e privados do conhecimento da Verdade. Corda de 7 Nós: As cordas na Maçonaria possuem várias interpretações de acordo com o número de nós. Quando em número de sete, representam as artes liberais (as que um homem livre podia exercer sem decair de seus concidadãos, por oposição às artes ‘mecânicas’ ou ‘manuais’, destinadas aos escravos na antiguidade)  a saber: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Seu entrelaçamento simboliza também o segredo que deve rodear nossos mistérios. Sua extensão circular e sem descontinuidade indica que o império da Maçonaria, ou o reino da Virtude, compreende o Universo no símbolo de cada uma de nossas Lojas. Orla Dentada:  Possui numerosas interpretações simbólicas, mostra-nos o princípio da atração universal, simbolizado no Amor. Representa, com seus múltiplos dentes, os planetas que gravitam em torno do Sol; os povos reunidos entorno de um chefe; os filhos reunidos em volta dos pais, enfim, os Maçons unidos e reunidos no seio da Loja, cujos ensinamentos e cuja Moral aprendem, para espalhá-los aos quatro ventos do Orbe Terrestre. Quatro Borlas: Símbolo que também possui varias interpretações. Para a Escola Autêntica simbolizam a temperança, energia, prudência e justiça. Para a Escola Mística a fé, a esperança, a caridade e a discrição. Para a Escola Oculta as borlas representam a terra, a água, o ar e o fogo. Conclusões: Para estudarmos o Painel da Loja de Aprendiz, seus símbolos, seus ensinamentos e a diagramação do próprio Painel, que se traduz no sentido simbólico da distribuição destes Símbolos sobre o Painel, o Aprendiz deverá aprender a separar o sentido literal, figurativo e oculto de cada Símbolo, para poder entender e compreender a forma harmoniosa que estes símbolos foram dispostos no Painel. O sentido literal é aquele que encontramos nas antigas escrituras da Maçonaria Operativa e que foram incorporados na Maçonaria Especulativa, apenas no sentido figurativo e simbólico de seus instrumentos que ornamentam a Loja. O sentido figurado é este que foi estudado neste trabalho. Pois  pude notar que encontramos variações  nas versões destes painéis e diversas interpretações diferentes, de acordo com a Escola que este ou aquele autor esta ligado; o que nos leva à crer que podem haver diversas formas de interpretações, mais profundas ou mais superficiais, dependendo apenas do grau de conhecimento e aprofundamento no estudo que forem feitos para desvelar o significado destes símbolos. O sentido oculto da disposição dos símbolos no Painel, leva o Aprendiz a entender melhor o sentido dos trabalhos do Rito e os ensinamentos nele contidos. Além de entender melhor o próprio funcionamento da Loja. (Ari de Sousa Lima).

3. Painel do Grau de Aprendiz: O Painel do Grau de Aprendiz é composto por duas Colunas, uma Porta, as quais conduzem aos três Degraus, sendo estes seguidos de um Adro em Mosaico. Compõem-na, também, três Janelas, uma Pedra Bruta e uma Pedra Cúbica pontiaguda. Também estão ali retratados o Sol, a Lua, o Esquadro, o Compasso, a Perpendicular, o Nível, o Malhete, o Cinzel e a Prancha de traçar. Uma corda com sete nós emoldura este Painel. Passemos, então, ao significado de cada um dos símbolos que adornam este Painel. As Duas Colunas, que significam a Beleza e a Força, ficam respectivamente à direita e à esquerda da entrada do Templo, sendo a coluna do Aprendiz a da Força. Relacionadas à construção do Templo de Salomão, diante do qual Hiram Abif as construiu, simbolizam os limites do mundo profano. Não se pode conceber a J sem a coluna B, assim como não se concebe o calor sem o frio; a luz sem as trevas; o som sem o silêncio. As duas colunas são encimadas por três Romãs entreabertas. A Romã pode ter diversos significados, tais como a caridade, que contém tantas virtudes, assim como este fruto possui tantos grãos; a humildade, ao esconder, sob sua casca, grãos tão suculentos; e, ainda, como representante da fecundidade, da geração e da riqueza. Os Três Degraus caracterizam a passagem do Aprendiz do mundo profano para o plano iniciático. Estes degraus representam, sucessivamente, os planos físico, astral e mental, que correspondem à divisão do ser humano em corpo, alma e espírito. Ao chegar ao terceiro degrau, o Iniciado depara com uma porta fechada, que se abre sozinha diante dele, caso ele seja digno de entrar. Os três degraus do Templo Maçônico, no grau de Aprendiz, mostram os esforços que este deve fazer para se libertar do plano físico, primeiro e, depois, do plano astral, que ele deve ultrapassar e, enfim, sua ascensão aos planos superiores. A  Porta do Templo, que se abre num muro encimado por um frontão triangular e sobre  o qual se vê um compasso com as pontas voltadas para cima, situa-se entre as Duas Colunas. Simbolicamente, a Porta do Templo deve ser muito baixa para que o Profano, ao ingressar no Templo, tenha que curvar-se, não em sinal de humildade, mas para assinalar a dificuldade da passagem do mundo profano para o plano iniciático. O Piso Mosaico caracteriza a variedade do solo terrestre, formado de pedras brancas e pretas unidas por um mesmo cimento. Simboliza a união de todos os Maçons do Globo, apesar da diferença das cores, dos climas e das opiniões políticas e religiosas. Pode-se dizer que o Piso Mosaico continua, no Templo, o binário das duas Colunas. Podendo-se concluir que o Maçom, assim como o profano, está sujeito aos rigores da lei dos contrastes. Trevas e Luzes estão ligadas no Piso Mosaico. Elas estão juntas, se considerarmos as fileiras de lajes. Entretanto, os traços virtuais que as separam formam um caminho retilíneo, tendo o branco e o preto ora à direita, ora à esquerda. Essas linhas são o caminho do Maçom que deve elevar-se acima da moral comum. Essas linhas não aparecem aos olhos dos profanos. Eles nada mais enxergam do que lajes brancas e pretas, passando alternativamente do branco para o negro e do negro para o branco. O Iniciado, ao contrário, segue a via estreita e passa entre o preto e branco, que não constituem obstáculos à sua caminhada. A estreiteza do caminho mostra, por si só, que não pode ser este o caminho do profano. As Três Janelas que figuram no Painel do Aprendiz representam as Três Portas do Templo de Salomão, e estão assim situadas: a primeira no Oriente, a segunda no Meio-Dia e a terceira no Ocidente. Nota-se, portanto, que nenhuma Janela se abre para o Norte. Os Maçons sempre construíram os Templos com a entrada para o Ocidente, de modo que as janelas seguem a marcha do Sol. E como o Sol não passa pelo Norte, não existe janela ali. A Janela do Oriente traz a doçura da aurora, sua renovação de atividade; a do Meio-Dia, a força e o calor; a do Ocidente dá uma luz que, à medida que se torna mais fraca, convida ao repouso. O Compasso que se abre para cima implica num estudo racional, não da terra ou dos fatos objetivamente contestáveis, mas do Céu, implicando, portanto, numa investigação rigorosa e precisa dos princípios abstratos. Quando ele encontra-se na posição normal, isto é, com as pontas voltadas para baixo, representa o brilho que emana da razão para apreciar os fatos, para medir a relação existente entre o eu e o não-eu, entre o subjetivo e o objetivo, entre o abstrato e o concreto. Como está representado no Painel do Aprendiz, demonstra a ação cósmica universal do Maçom e seu brilho depois de uma ação suficiente sobre ele próprio.  A Pedra Bruta simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o Maçom deve se esforçar por corrigir. Pode-se também dizer que a Pedra Bruta representa a Liberdade, eis que o profano, em sua cerimônia de iniciação, pede à Luz e à Loja justa e perfeita que lhe proporcionem essa Luz, libertando-o iniciaticamente da servidão e de tudo o que a Sociedade lhe proporcionou de artificial e de mau, reencontrando tudo o que ela lhe tirou de espontâneo e de bom. O neófito, então, simbolizará sua liberdade por uma Pedra Bruta, com a qual ele se identificará e desbastará com os instrumentos que lhe serão fornecidos, tornando-a perfeita e imprimindo-lhe um caráter de personalidade que será seu e único.  A Pedra Cúbica Pontiaguda é um cubo com uma pirâmide superposta, cujo simbolismo se acrescenta ao primeiro. Esta Pedra, embora figure no Painel do Aprendiz, está ligada ao Grau de Companheiro. O Sol e a Lua são vistos ao alto do Painel do Aprendiz. O Sol, ativo, fica à direita, ao lado da Coluna J, e a Lua, passiva, à esquerda, ao lado da Coluna B. Os trabalhos em Loja são iniciados, simbolicamente, ao Meio-Dia, quando o Sol está no Zênite e encerrados à Meia-Noite, quando ele está no Nadir, momento em que se supõe que a Lua esteja em seu pleno esplendor. O Esquadro simboliza a Equidade, a Justiça, a Retidão de conduta e o exato cumprimento do dever. Em um sentido, representa a ação do homem sobre a matéria. Em outro, simboliza a ação do homem sobre si mesmo.  A Perpendicular é o fio de prumo, que em Maçonaria é representado fixado no centro de um arco de abóbada, significando que o Maçom deve ser reto em seus julgamentos. É o emblema da busca da verdade, do aprumo, do equilíbrio.  O Nível, maçonicamente simbolizado, é formado por um esquadro justo, ou seja, um esquadro cujo ângulo no ápice tem 90º e representa a igualdade social, base do direito natural. Lembra-nos ele que é preciso considerar todas as coisas com igual serenidade. O Maçosimboliza a vontade, a energia e a decisão necessárias para vencer e superar obstáculos. Não é uma massa metálica, pesada e bruta, pois a vontade não deve ser nem obstinação, nem teimosia. A vontade deve ser, simplesmente, firme e perseverante. Como o homem não pode agir diretamente sobre a matéria, o Cinzel serve, então, de intermediário. Além disso, o Malho age de forma descontínua, simbolizando que o esforço não pode ser perseguido sem  interrupção, e também que uma pressão contínua sobre o Cinzel tirar-lhe-ia a precisão.  O Cinzel representa o intelecto, o conhecimento e o discernimento indispensáveis para descobrir as protuberâncias ou falhas da personalidade. Juntamente com o Malho, é utilizado pelo Aprendiz para desbastar a Pedra Bruta e, para tanto, deve ser frequentemente amolado. Ou seja, o Aprendiz deve rever sempre os conhecimentos adquiridos. A Prancha de Traçar é um retângulo sobre o qual são indicados os esquemas que constituem a chave do alfabeto maçônico. É nela que o mestre estabelece seus planos. Em seu simbolismo, a Maçonaria chama o papel sobre o qual se escreve de Prancha de Traçar e substitui o verbo escrever pela expressão traçar uma prancha. Embora a Prancha de Traçar esteja relacionada ao Grau de Mestre, o Aprendiz não pode ignorar seu uso e deve exercitar-se, mesmo que desastradamente, a esboçar aí suas ideias. Motivo pelo qual esse símbolo já figura no Painel do Aprendiz. A Corda de Sete Nós que circunda o Painel do Aprendiz simboliza a Cadeia de União, a união fraternal que liga de modo indissolúvel todos os Maçons do Globo, sem distinções nem condições. Este entrelaçamento representa, também, o segredo que deve rodear nossos augustos mistérios. Concluímos, então, que o Painel do Aprendiz, por meio dos símbolos que contém, ensina os princípios fundamentais que devem nortear a vida do Maçom desde a sua iniciação - momento em que o profano simbolicamente atravessa a porta baixa e estreita  - e sem os quais o Iniciado jamais atingirá a perfeição. (V. Painel Alegórico da Loja de Aprendiz).

 

Por Hélio Leite

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

 
Livro Banquete Maçônico
Banner
Visitantes Online
Nós temos 17 visitantes online
Twitter

Nos siga no Twitter

Idiomas / Language
English French German Spain Italian
Dutch Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
Publicidade
Banner
Banner
Banner
Banner